Gosto de ser recebida com um sorriso e que o senhor pergunte se está tudo bem e porque é que eu não estou sentada na mesa do costume. Hoje ficamos aqui à janela, digo eu. Gosto que eles cheguem uns segundos depois e que troquemos beijinhos e abracinhos sinceros de saudades e que se comecem logo a fazer piadas. É bom de mais o mesmo senhor vir um bocadinho depois, sem ninguém pedir nada, com três copos de vinho. É bom, é muito bom. O vinho, esse, é melhor ainda. Gostava mesmo que soubessem, que falarmos sem parar dos vossos problemas não me incomoda rigorosamente nada. Incomodava-me muito mais não vos ter na minha vida. Também não me incomoda que ela saia de surpresa de Chelas e se meta na A5 até Cascais sem saber onde aquilo vai dar, só para vir ter comigo. É quando me liga a dizer "estou em cascaaaaaais", que o meu coração rebenta de felicidade pela surpresa. Dou gritos histéricos quando percebemos que sem querer, acabou mesmo por vir ter à rua do meu trabalho e que vamos almoçar ao Mcdonalds. Enche-me o coração ainda ter um dia de trabalho pela frente, e já agora, um trabalho que gosto mesmo de fazer, mas que ao final do dia vou para Lisboa, ter com ela. Para rir e ser feliz. Outra coisa que me enche muito o coração são prendas de anos atrasadas. Como um saco com bolachas feitas só para mim, uma receita especial, cheia de amor, de alguém que acordou às 9h da manhã de um sábado e se enfiou na cozinha por minha causa porque sabe o quanto eu amo oreo. Espero que também saiba o quanto amo a presença dela em todos os momentos da minha vida. Também amo que a Tânia abra sempre a porta com o meu afilhado ao colo. Roubá-lo do colo dela e enchê-lo de beijos é das coisas que mais gosto de fazer. Ouvir a Mimi a dizer Titi, a rir-se e a pedir mais, é uma bênção que nunca pensei vir a receber. E a Mafalda a exigir que eu actualize o blog nem que seja para escrever sobre gordas? Isso faz-me lembrar 4 miúdas à volta de uma mesa, a vir vídeos inúteis de uma outra miúda e ninguém, senão nós, percebermos o sentido que aquele momento está a ter. Quer foram 2 horas perdidas, mas que foram por um óptimo motivo. Só para nós, claro. Nem quando me pede para parar o carro e meter os 4 piscas porque tem de ir mijar são horas perdidas com a Maggie. Nem as conversas no Skype com a Carolina. Ou ir ter com a Rac ao Saldanha, perder o meu cartão multibanco no carro e ela virar o carro todo comigo à procura, empenhada mais do que eu em encontrar o meu cartão. É um aconchego para o meu coração saber que mesmo falando pouco ou nada quando estamos longe, quando nos encontramos passado meses, continua tudo mais forte do que estava da última vez que nos vimos. Algum de vocês tem uma amizade que sabe que vai ter até ao fim dos dias? Já encontraram esta pessoa na vossa vida? Se sim, são uns sortudos, tal como eu. É um alívio à partida não ter de ficar sem ela, faço-me de forte, mas não ia suportar tê-la do outro lado do mundo. Como é que vivemos com a nossa melhor amiga do outro lado do mundo? E quando a Joana vem ao escritório e não larga a campainha enquanto eu não abro a porta? Quando abro estende-me sempre um ferrerro rocher, ou bolachas, ou uma caixa de bolos. Sempre que me visita, trás-me um doce. Mas ela não sabe que um doce para mim, são os abraços que damos sempre que nos vemos. Esses, valem por todos os doces do mundo.
Os meus amigos são os melhores e são os amores da minha vida. Mesmo os que não estão aqui neste texto. Todos eles me aquecem de uma forma perfeita o coração, e eu estou-lhes tão grata por isso.
Estou com uma TPM do caralho, também.