segunda-feira, 30 de junho de 2014

Na Berma da Estrada

Há quem pare o carro na berma da estrada porque acha que tem o pneu furado, porque ficou sem gasolina ou sem bateria, porque está mal disposto ou com tonturas, porque precisa de comer uma sandocha ou fazer um telefonema. 

Eu paro o carro na berma da estrada para tirar do porta bagagens a garrafa de Vodka que andava para lá de um lado para o outro, e que me estava a irritar profundamente. 

A minha mãe deve ter tanto orgulho em mim. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Na Realidade, Adora-me!

Chefe a sair disparado do escritório enquanto diz:

Chefe: "Vou almoçar, tenho uma conferência telefónica às 14h00" 
Eu: "Ah, mas eu preciso de ir ao banco, não posso cá estar"
Chefe: "Não faz mal, não preciso de si para nada"
Eu: "Tudo bem"

Quando está quase a fechar a porta, volta para trás e diz:

"Vá, mostre lá as suas unhas, a Joana (filha adorável) disse-me que tinha uma cor muito gira"

Adora-me, e não vive sem mim.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Nada Fácil

Não organizei bem a minha semana de trabalho. 

Fazer o dossier de uma empresa que confecciona pratos à base de camarão entre as 11h30 e as 13h00 é muito mais complicado do que eu estava à espera. 

Como acho que não devo sofrer sozinha, deixo uma das mil imagens que tenho estado a ver. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Bebe Sempre a Mesma Coisa

Eu: "Vou indo, beijinhos" 
Ela: "Levas o carro?" 
Eu: "Não, fica no Estoril." 
Ela: "Ahhh, então porquê?" 
Eu: "Hoje queremos beber à vontade."
Ela: "Tabem. Mas não te ponhas a fazer misturas Ana Catarina. Já sabes que corre sempre mal." 
Eu: "Ok. Beijinhos" 
Ela, da escada: "Não te ponhas a beber vinho e depois vodka. Bebe sempre a mesma coisaaaaa" 
Eu, da escada: "Tabeeeeeeeeeem"

Bebi sempre vodka. Sou muito obediente. E também porque ela me chamou Ana Catarina. Já toda a gente sabe que quando isto mete Ana Catarina, é para obedecer. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Cães

Sou uma pessoa calma e relaxada por natureza. Mas quando topo que me estão a tentar indrominar, passo de bestial, a besta. Estava no meu banco, a tratar de uma irregularidade observada na minha conta à ordem. A tipa da caixa era a que me estava a tentar indrominar. Depois de eu já ter sido indrominada por um funcionário incompetente e pelo próprio banco (razões que levaram à tal irregularidade), a última coisa que ela deveria estar a fazer, era irritar-me. Mas estava, estava a irritar-me muito.

Fingiu não perceber a minha situação à primeira. Expliquei de novo como se ela fosse uma menina de 3 anos. Apresentei um comprovativo para ela parar de teclar no computador em busca de nada, dei o nome do funcionário incompetente e ainda lhe fiz um desenho de toda a situação, para não restarem dúvidas.
Ela decide dizer-me: "Eu percebo a sua situação, mas o débito já foi efectuado, não há nada que possamos fazer." 

É aqui que se acende uma tabuleta no meu cérebro, em luzes led vermelhas, que diz: "estás a ser indrominada pela 3ª vez". Quando esta tabuleta se acende, a besta adormecida dentro de mim acorda.

"Claro que há sua puta" -  pensei eu enquanto contei mentalmente até 3. Depois, num crescendo de níveis de irritação e num discurso muito menos bem construído disse-lhe qualquer coisa como isto:

"Ouça: se percebesse realmente a minha situação, já me estava a fazer um crédito em conta porque sabe perfeitamente que eu tenho razão, e que sim, há muita coisa que vocês podem fazer. Uma delas é creditar-me esse valor, senão eu armo aqui uma peixeirada como você nunca viu. Nunca tive razões de queixa do vosso banco, sou vossa cliente há anos e estava tudo a funcionar perfeitamente até aqui. Mas começo a ficar chateada, e depois desta vossa atitude, começo mesmo a duvidar da vossa seriedade. E muito sinceramente, já nem tenho vontade de avançar com a conta poupança nem com o empréstimo para comprar casa. E acredite que se não me resolve esta situação a meu favor, visto que isto foi um erro vosso, eu levanto agora mesmo o meu dinheiro todo (ui, é tanto, tanto) e pego nas minhas coisinhas e vou dar de comer a outros. Acredite que precisam mais vocês de mim, do que eu de vocês."

Passado 1 minuto e 15 segundos estava sentada no gabinete do director do balcão enquanto ele me fazia o crédito em conta e me explicava os benefícios do empréstimo habitação que eu nunca vou pedir.

Cães.