Fui tirar o meu cafézinho
tirei o meu pacotinho de açúcar e a minha colher de plástico e fui para a minha secretária
pousei o meu cafézinho e abanei o pacotinho de açúcar para ele ficar todo no fundinho e eu o poder abrir
no entanto, não precisei de abrir o pacotinho
porque ele estava furado
e o açúcar foi todo espalhadinho pela minha secretária
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Ele #2
À semelhança da maioria das pessoas que conheço, o meu namorado também gosta mais do meu cabelo do que de mim.
Apaixonou-se primeiro pelo meu cabelo, e só depois, muitooooooooo tempo mais tarde, é que se apaixonou por mim.
Da última vez que cortei o cabelo ele fez um filme desgraçado. Nem 7 gajas juntas conseguiam fazer aquilo.
Andou uma semana inteira a chatear-me constantemente com esse assunto. Que eu ia dar cabo do melhor que tinha (touché), que ia ficar horrível (obrigada), que sem o meu cabelo não era nada (toma lá mais uma para a tua auto-estima), que ia perder a minha essência (tufas) e que ele ia deixar de gostar de mim.
Eu, com a maior paciência do universo, disse-lhe que tinha de ser, que tinha de cortar, que era só um bocadinho, que ele nem ia notar, porque nunca ninguém nota, e que ia ser exactamente a mesma pessoa. Ele não acreditou, disse que eu nunca mais ia ficar igual e no dia em que fui cortar o cabelo mandou-me uma mensagem a dizer para eu pensar bem, que ainda ia a tempo de voltar atrás. Sim, o meu namorado é uma Drama Queen.
Quando saí do cabeleireiro mandei-lhe uma mensagem e disse que as mulheres me tinham convencido a fazer algo diferente. Talvez estivesse um pouco curto de mais, mas que estava diferente e que eu até gostava. O coração dele parou nesse momento.
Quando cheguei ao pé dele no dia seguinte e me viu igual, o coração voltou a bater e ele abraçou-me e disse algo do estilo: "Obrigada por me teres ouvido. Eu sabia que te ia convencer e tu não ias cortar o cabelo. Estás tão melhor assim."
Os meus olhos deitaram faíscas nesse momento. Tinha levado com ele a chatear-me uma semana inteira e tinha arrotado 30 euros e ele estava a achar que eu lhe tinha feito a vontade.
Toda esta dissertação serviu para vos entreter na vossa vida aborrecida e para vos dizer que vou cortar o cabelo e não lhe vou dizer. Não tenho energia para um novo drama nem para uma nova frustração.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
O Móvel
A minha mãe tem TODOS os medicamentos que há em casa guardados num móvel.
"E qual é o problema de a tua mãe ter todos os medicamentos que há em casa guardados num móvel?" - Perguntam vocês dessa maneira irritante que só vocês sabem.
Primeiro, quem faz as perguntas aqui sou eu. Segundo, se me deixassem terminar, iam perceber que há um problema. E grave.
O móvel onde ela guarda os medicamentos tem de estar sempre fechado à chave, porque senão a minha mãe tem um ataque de pânico. Por sua vez, a chave que abre o móvel tem de estar sempre guardada dentro de uma gaveta que há no mesmo móvel. Se a chave não estiver guardada lá dentro a minha mãe tem outro ataque de pânico e é capaz de falecer porque já são dois ataques de pânico no espaço de 30 segundos.
Ora, o que é que faz um barulho descomunal a abrir e a fechar? Exactamente, a gaveta onde está guardada a chave.
A chave podia estar na fechadura do móvel? Podia
A chave podia estar em cima do móvel, sem ser na gaveta? Podia
Mas se isso acontecesse, a minha mãe não conseguia topar quando é que não nos estamos a sentir bem.
Ontem de manhã estava com umas dores de garganta, e fui ao móvel buscar umas pastilhas. Aproveitei o momento em que ela estava na casa de banho para o fazer. Abri a gaveta com o maior dos cuidados, mas ela lá rangeu toda e eu fui, mais uma vez, apanhada.
"CATAAAAARIIIINAAAAAAAA, ÉS TU QUE ANDAS AÍ????? O QUE É QUE TEEEEEEEENS?"
É sempre, sempre assim. Mesmo que sejam 3h da manhã e ela esteja a dormir.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
A Minha Vida Não é Um Filme
Estava a separar o lixo no ecoponto quando o lenço que tinha ao pescoço se soltou e voou.
Estava a fazer uma boa acção, e como tal não acho que tenha sido merecedora do que me aconteceu, mas isso são contas que depois prestarei com Deus.
Como vos estava a dizer antes de me interromperem, o lenço que eu tinha ao pescoço conseguiu soltar-se tal era a ventania e vi-me perante uma típica cena de filme (apesar de elas nunca estarem ao pé de ecopontos). Sempre disse às tipas dos filmes que se apertassem melhor o lencinho no pescoço, ele não tinha como fugir. Enganei-me. Ele foge, o cabrão.
Estava então a chegar o meu momento de filme. Enquanto corria atrás do lenço cheia de charme e delicadeza, viria um gatão estrategicamente colocado do outro lado da rua para o agarrar e mo entregar. Depois disso iríamos apaixonar-nos e seriamos felizes para sempre.
Mas como é de mim que estamos a falar, eu corri atrás do lenço, confere, mas com o cabelo todo à frente dos olhos e enquanto lançava palavrões para o ar. Reiterando o facto de ser de mim que estamos a falar, é óbvio que não apanhei o lenço à primeira, nem à segunda, nem à terceira. Ele continuou a esvoaçar pela rua e a rebolar no chão num jogo que estava a ser divertido só para ele.
Depois de ter percorrido 5km lá o consegui apanhar.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Eu Sei Que Vai
Estão três senhores Romenos aqui no escritório a trabalhar e a tecer considerações sobre o tecto.
Apontam, gesticulam, abanam a cabeça e trocam olhares e eu não sei o que estão a dizer.
O tecto vai cair-me na cabeça a qualquer momento não vai? Eu sei que vai. E eles também.
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