sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Podes Esquecer o Happy Meal

Estava nas caixas automáticas do Continente com o meu cestinho a passar códigos de barras, enquanto pensava para mim que me passou ao lado uma brilhante carreira de operadora de caixa.

Quando me dirigi ao cestinho para tirar o item seguinte, reparei que ao lado estava uma criança com uma das minhas garrafas de água na mão. O primeiro pensamento que me ocorreu foi "como é que tu apareceste aqui tão rápido e me tiraste a garrafa sem eu dar conta seu bicho do demónio?"  


Lá sorri para a criancinha sem ela me sorrir de volta. Tudo bem, fui forte e não chorei por causa disso. Continuei a minha vida a tirar coisas do cestinho e a ignorar a criança. Ela continuava ali, com a minha garrafa de água na mão e a olhar para mim com ar de mosca morta. A mãe chamou-a "Não-sei-das-quantas põe lá isso onde estava, não é teu, é da senhora". 


Claro que a não-sei-das-quantas não meteu nada. Eu parei o que estava a fazer, porque sabia que aquilo ia ser giro.

A mãe vem ter com a criança, agarra-lhe no braço e diz "Já te disse, põe lá isso"

A criança atira a garrafa de água para dentro do meu cesto, que, como eram de 1,5L esmagou os meus itens mais sensíveis. 

"Grande puta" - pensei eu enquanto me controlava para não dizer aquilo em voz alta. 

A mãe desata a gritar "Já viste o que fizeste não-sei-das-quantas? Isso são maneiras de tratar as coisas dos outros? Tinhas alguma coisa que blablablablablablablabla. Podes esquecer o Happy Meal, vamos directas para casa."

A criança começou a chorar. E eu, apesar de achar que era muito bem feita, não deixei de sentir um pouco de pena; faço exactamente o mesmo quando a minha mãe me diz que já não vamos ao mcdonalds e tenho 25 anos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Completamente Noutra #6

Saio do escritório para ir fazer um xixi.
Entro na casa-de-banho e dirijo-me à sanita. (às vezes faço no lavatório, confesso)
Fico ali por um bocado alheia ao mundo, a pensar nas minhas merdas.
Quando desço novamente à terra penso para mim "Bolas, fiz xixi ou não?"

P.S. - Não chorem por esta minha ausência, a sério. Tenho imeeeeeeensas coisas para vos contar, só não tenho tido tempo. Mas vocês continuam todos a ser muy importantes para mim, seus lindões. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

TPM

Um dos passos mais importantes no caminho da felicidade e da harmonia é conseguir assumir o que temos de menos bom, e depois saber aceitá-lo e saber viver com isso. 

Nos dias de hoje consigo estar na mesma sala que a minha TPM. Coisa que há uns anos atrás não conseguia. E hoje consigo fazê-lo porque a aceitei. Porque exteriorizei que ela existia e porque aceitei que tinha vindo para ficar. O que não quer dizer que nos tenhamos tornado as melhores amigas, claro. 

Consigo facilmente identificar 3 fases na minha TPM: 

Fase 1: Dura cerca de dois dias e é uma coisa gradual. Primeiro só choro quando a minha mãe me pergunta se custava muito encher a garrafa de água para a meter na mesa, mas passado umas horas já sou menina para chorar se não consigo atinar com o volume da televisão ou se já não houver mais bolachas na lata. Penso muito na minha vida nestes dois dias, e sempre de forma negativa. A minha fase 1 é bastante propícia ao suicídio. 
Fase 2: Dura cerca de um dia e é uma coisa bastante intensa. É a fase "não respires que me irritas". Tudo me irrita e enerva, não tenho paciência para ninguém, deito faíscas pelos olhos e buzino a velhas que atravessam na passadeira a passo de caracol enquanto lhes chamo nomes. Sou um monstro e sei disso, é por isso que tento ao máximo não lidar com pessoas neste dia. 
Fase 3: É a fase mais bonita e dura 1 ou 2 dias. Acordo e abraço a minha mãe enquanto lhe digo que gosto muito dela, envio mensagens de saudades às pessoas, falo com as flores, digo às pessoas o quanto gosto delas e sorrio a velhas que atravessam a passadeira a passo de caracol. Nesta fase os meus olhos deitam mel e não faíscas. 

Depois da fase 3, vem a fase dá-me o meu Trifene 200 senão arranco-te o braço à dentada. 

Há por aí alguém que se identifique com isto? Não se inibam leitores do sexo masculino, não se inibam.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Cada Vez Mais Parecidos

Eu e o meu patrão temos maneiras cada vez mais semelhantes de tratar incompetentes: 

Eu ao telefone: "Eu já vos disse isto umas 15 vezes, mas vou dizer mais uma" 

O meu patrão ao telefone passado 5 minutos: "Pode perguntar-me o que quiser, mas pergunte tudo de uma vez, não me esteja a ligar dia sim dia não, por amor de Deus" 

Estamos cada vez mais parecidos. 

Medo. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Anseio

Há mil e trezentas formas péssimas de começar o dia.

Uma delas é serem umas 09:20, eu ter apenas dois goles de café no bucho o telefone tocar e eu ouvir um estridente:

"BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMMMM
DJJJJIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIAAAAAAAAAAAA QUÊÊÊÊÊÊÊRIIIIIIDÁÁÁÁÁÁÁ"

Depois de amaldiçoar a minha vida em três línguas diferentes, lá respondo um:

"Bom Dia Dª Fernanda"

Ela continua no seu zuca estridente de gaja que snifou 3 linhas de coca antes de me ligar, e informa-me que não está a conseguir fazer o check-in porque blablabla whiskas saquetas e que o meu patrão terá de se apresentar no aeroporto às 4h00 da manhã. Despede-se e deixa a parte mais gira do meu lado.  

Volto a amaldiçoar a minha vida (desta vez sempre em torno de palavrões) enquanto espero pela chamada em português estridente que vai chegar do meu patrão. 

Ela chega 30 segundos depois. 

"EU NÃO VOU ESTAR NO AEROPORTO ÀS 4:00 DA MANHÃ. RESOLVA ISSO CATARINA."

Anseio pelo resto do meu dia.