quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Obrigada Marginal

Lá no escritório, a rádio está sempre na Marginal. É a rádio que passa menos anúncios, a que tem menos conversa e a que passa a melhor música. Parece que este post está a ser patrocinado pela Marginal não é verdade? Quem me dera. 

Bom, como eu estava a dizer, é a nossa rádio de eleição e ultimamente no leque dos 5 anúncios que passa (são sempre os mesmos) está um novo sobre o uso do preservativo. 

O anúncio é, entre outras coisas, isto: "use preservativo. o uso do preservativo previne doenças sexualmente transmissíveis. 8 em cada 10 pessoas não usa preservativo. o preservativo previne o risco de uma gravidez indesejada. use preservativo, porque quem anda à chuva molha-se" 

O que mais gosto no anúncio é a forma como ele termina, sem dúvida. No entanto, na minha opinião, o senhor diz muitas vezes a palavra preservativo. No dia-a-dia com os meus dois colegas (sendo um deles o meu patrão ultra conservador), o anúncio tolera-se minimamente. 

Não se tolera tão bem quando decide começar no exacto momento em que estou a receber dois potenciais clientes da empresa. 

"Olá, boa tarde (preservativoo), Catarina, prazer (preservativoo), vamos passar aqui à sala de reuniões (preservativooo)"

São momentos como este que fazem a minha vida valer a pena.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Pânico

De 0 a 10, qual é o vosso nível de pânico quando estão a conduzir e ouvem uma sirene lá ao longe, e ainda não sabem se ela vem no vosso sentido ou no sentido contrário?

O meu é 72.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Tenho Medo

O medo da rejeição e do fracasso torna-nos inseguros e no meu caso está a impedir-me de avançar.

Ainda não consegui reunir a coragem necessária para entrar na aula de hidroginástica. 

O medo de ser rejeitada pelo comité de senhoras de idade avançada que por lá habita está a consumir-me.

Tenho tanto medo. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A Minha Mãe #1

Este é um tipo de conversa acontece com frequência com a minha Mãe: 

Mãe: "Aquilo é ali ao pé da casa dos pais do Miguel Sousa" 
Eu: "Quem é o Miguel Sousa?" 
Mãe: "É aquele miúdo que foi colega do Francisco" 
Eu: "Não faço ideia" 

Uma pessoa normal ficaria por aqui. A minha Mãe não: 

Mãe: "Aquele que era meio enfezadinho" 
Eu: "Não sei" 
Mãe: "Aquele que corria sempre para o Francisco quando ele chegava" 
Eu: "Não sei, não faço ideia" 
Mãe: "Aquele que era sempre o último a ir embora nas festas de anos"
Eu: "Oh Mãe, sei lá quem é que era o último a ir embora das festas de anos" 
Mãe: "Ai Catarina, aquele que a mãe trabalha nos seguros" 
Eu: "Não sei, não faço ideia" 
Mãe: "Aquele que mora ali em Manique, que tem o Jacuzzi em casa" 
Eu: "Aaaaaahhhhh já sei" (não sei nada, digo isto para ela se calar).
Mãe: "Pronto, a loja é aí ao pé da casa dos pais dele" 
Eu: "Eu sei lá onde é que os pais dele moram" 

E lá vamos nós outra vez.. 
 
Mãe: "Então Filha, em Manique" 
Eu: "Está bem, Manique é muito grande" 
Mãe: "Estás a ver o largo?" 
Eu: "Sim" 
Mãe: "Pronto, aí no largo tens uma ruazinha para a direita não tens?" 
Eu: "Sei lá" 
Mãe: "Então, imagina que vais para S. Domingos de Rana.." 
Eu: "Sim.." 
Mãe: "Antes de chegares ao largo, há uma ruazinha para a direita" 
Eu: (já não respondo, recuso-me) 
Mãe: "Antes de uma tabacaria, e da paragem do autocarro..."
Eu: "Aaaaaaaaaah, sim sim" (mais uma vez, só mesmo para ela se calar)
Mãe: "Pronto, é aí nessa rua" 

Às vezes gostava que a minha Mãe desistisse de mim mais facilmente.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Abaixo o Trautear!

Talvez vá ser mal interpretada com o que vos vou revelar a seguir, mas tenho sido sempre honesta e transparente com vocês. Não há segredos entre nós, para o bem e para o mal, e vocês sabem disso. Acho que já vos dei provas suficientes de que estou sempre pronta para uma boa paródia, portanto não me tomem por favor como uma pessoa angustiada ou azeda, com aquilo que vos vou revelar de seguida. 

Tenho-me vindo a aperceber que me irritam mesmo muito as pessoas que murmuram ou que trauteiam canções. Uma pessoa não é de ferro e há coisas das quais não pode fugir, e esta é uma delas. Não pedi para isto me irritar, não gosto que isto me irrite, mas irrita. Oh Deus, se irrita. Dou por mim a pensar que se calhar me estou a tornar numa velha do Restelo que odeia pessoas felizes. Se bem que acho que agora está imenso na moda viver lá.

Sabem aquele gesto inconsciente que quase toda a gente tem quando está feliz, ou quando é só parva, de apertar os sapatos, pentear o cabelo, tirar um café, limpar o pó, seja o que for e murmurar ou trautear uma canção? Quase todos vocês devem fazê-lo, não faz mal, amigos como dantes, mas deixem-me só dizer que isso a mim me irrita solenemente. Irrita-me essa indecisão, esse meio termo, esse não se perceber que canção estão a cantar, esse burburinho como se estivessem a segredar qualquer coisa que não se pode ouvir, mas fazendo questão que se ouça qualquer coisa. Essa melodia que vocês emitem entra-me no cérebro e começa a corroê-lo, e faz com que eu me foque nisso e no quanto isso me irrita. Dou por mim a tentar levantar cadeiras com o poder da mente, para acertar nos cornos de quem decidiu começar a murmurar o Last Christmas por exemplo. Se algum dia me quiserem extorquir uma informação, fechem-me numa sala com alguém a trautear uma canção, e têm o que quiserem de mim em menos de 3 minutos. Se querem cantar, cantem como deve ser pá. Fiquem roxos a tentar atingir aquela nota aguda, desafinem, inventem a letra, mas façam-se uns homenzinhos e umas mulherzinhas e cantem em pleno. 

No outro dia estava no ginásio a vestir-me, e chegou uma senhora que começou a murmurar uma música de merda desde que abriu o saco do ginásio, e não se calou até eu sair do balneário. Foi doloroso para mim, e podia ter sido doloroso para ela se eu não me tivesse controlado e tivesse desatado a gritar aquilo que estava a sentir, que teria sido qualquer coisa como: CALE-SE MULHER, PELO AMOR DE DEUS, CALE-SE COM ESSA MERDA OU EU DOU CABO DE SI!

Digam-me cá uma coisa: as pessoas que fazem isso são assim tão felizes? Estão assim tão relaxadas e tranquilas? Estão a passear num prado verdejante e só elas é que o estão a ver? Porque é que eu não consigo atingir essa plenitude? Pior: porque é que a plenitude dos outros me irrita? 

Ah, e claro, não me façam falar das pessoas que assobiam.