sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Revoltem-se

Gosto de futebol e amo muito o meu Benfica, mas acho que está a ganhar uma dimensão assustadora e desnecessária e que se dá ao futebol muito mais importância do que aquela que se devia dar. 

É assustador ver a forma como as pessoas se revoltam quando o árbitro não marca falta. 

Se se revoltassem assim com o que realmente devem, e com o que realmente importa, o nosso país já tinha andado para a frente. 

(um post profundo e intelectual, para não pensarem que eu só escrevo merda) 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A minha Mãe Não gosta de Mim

Toda a gente tem aquela mesa ao pé da porta de entrada que não serve para mais nada, a não ser para atirar as chaves de casa mal chega. Quem não tem esta mesa, é deficiente. 

A mesa serve para ser ignorada, e não admirada. Sou a única pessoa que utiliza aquela mesa e desde sempre que quando chego a casa atiro as chaves para lá com violência, e quando bazo, pego nas chaves com igual violência. Quando chego a casa embriagada, às vezes tropeço na mesa, mas isso fica para outras núpcias. 

Primeiro, a minha mãe começou por colocar lá uma moldura. Tudo bem, continuava a ter espaço para atirar as minhas chaves por isso não liguei. 

Passado uns meses, o meu irmão ofereceu-lhe uma Matrioshka e ela achou por bem metê-la nessa mesa. Biblot que ocupa pouco espaço não é verdade? 54 bonequinhas em cima de uma mesa que tem como única função receber com violência chaves de casa. Agora, sempre que atiro as chaves para lá, cai uma puta de uma boneca ao chão. 

Como se não me bastassem as putinhas das bonecas a cair todos os dias, ontem decidiu meter lá um vaso com uma flor artificial. 

Espaço para as minhas chaves, deixou de haver. É uma forma original de dar a entender que está na altura de me por na alheta. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Afinal, Não Sou Assim Tão Distraída

Eu pensava que era das maiores distraídas a habitar na 'tuga (do estilo, deixar a porta do frigorífico aberta e ir fazer outra coisa qualquer) mas depois de, na última semana, ter de ir a correr atrás de duas pessoas que deixaram o cartão dentro da caixa multibanco, mudei de ideias. 

No entanto, a ideia de que sou uma pessoa maravilhosa, mantém-se. 

O senhor de hoje estava a ver os movimentos da sua conta, achou que a conta estava óptima assim (sim, confere, estava) e virou costas, sem querer saber. 

Eu cheguei-me à frente, consegui ver-lhe o saldo, e consegui ouvir Deus dizer-me para eu carregar no "Cancelar" e não no "Outras Operações"

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Undo

Quantas vidas já salvou o botão "Undo" do Microsoft Office?

A minha já a salvou 1358 vezes.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Olhar 32

Chego à conclusão que as únicas crianças que tenho paciência para aturar são os meus três irmãos mais novos, e os meus dois sobrinhos (e que, visto deste prisma, já me parecem crianças a mais). 

Estava muito bem a fazer xixi na casa-de-banho do Shopping, e começou a dar uma música dos MGMT que adoro. Como o meu mundo nunca é perfeito, entram duas crianças AOS BERROS a cantar algo como: Allllllllllllllllllllllll theeeeeeeeeeeee waaaaaaaaaaaaaayyyyyyyy tooooooo goooooooooooooo. 

A coisa podia passar-me ao lado se elas tivessem cantado uma estrofe e se tivessem calado. Mas não calaram. Continuaram: Allllllllllllllllllllllll theeeeeeeeeeeee waaaaaaaaaaaaaayyyyyyyy tooooooo goooooooooooooo. Allllllllllllllllllllllll theeeeeeeeeeeee waaaaaaaaaaaaaayyyyyyyy tooooooo goooooooooooooo. Uma das minhas músicas preferidas estava a tocar, e eu não a conseguia ouvir por causa daquelas bestas. 

"Que mal tem isso? Duas crianças a cantar é tão bonito. Transmite tanta paz." 

Não, não transmite. Quando as crianças cantam mal, cantam alto de mais, cantam merda e cantam por cima de músicas que adoras, transmite é ódio, nada mais.  

Saí da casa de banho e lá estavam duas crianças gordas, com as bochechas vermelhas e com a farda de um colégio privado da linha a rodopiar na casa de banho, histéricas, a cantar Allllllllllllllllllllllll theeeeeeeeeeeee waaaaaaaaaaaaaayyyyyyyy tooooooo goooooooooooooo. Allllllllllllllllllllllll theeeeeeeeeeeee waaaaaaaaaaaaaayyyyyyyy tooooooo goooooooooooooo. 

Com faíscas a sair dos olhos aproximei-me do lavatório para lavar as mãos e fiz de tudo para que os nossos olhares se cruzassem.

Cruzaram.

Lancei-lhes o olhar 32.

De repente, fez-se silêncio.  

Um dia mostro-vos o meu olhar 32.