quarta-feira, 20 de abril de 2016
Vida de Estagiário #1
Após duas semanas na empresa, deu entrada no hospital com um ataque de ansiedade.
terça-feira, 19 de abril de 2016
Indicações
É mais ou menos assim que uma pessoa normal explica um caminho:
"Chega ali à rotunda e vira na primeira à direita. Vai sempre sempre sempre em frente até chegar a um cruzamento. Nesse cruzamento vira à esquerda. (é mais ou menos a partir daqui que a explicação se torna demasiado confusa, e deixamos de a ouvir, tentando memorizar apenas as indicações iniciais) Segue em frente, e vira na terceira à sua esquerda. Vai encontrar uma rotunda, e na rotunda é na segunda saída."
E é mais ou menos assim que um beto de Cascais explica um caminho à sua querida mãe:
"Oh mãe, é na Avª Nª Srª do Rosário. (a mãe deve ter tido que não sabia onde era) Então, está a ver a rua das Salesianas? (claro que trata a mãe por você, e claro que a mãe está a ver onde é a rua das Salesianas. Não fossem as Salesianas, um dos colégios mais caros de Cascais). Desce essa rua em direcção à praça de touros, passa a casa do Salvador Sequeira de Barros (a mãe ficou confusa, e deve ter confundido o Salvador Sequeira de Barros com o Salvador Rebelo de Andrade), não mãe, esse é o Tio da Carlota de Sousa e Mello, eu estou a falar do Pai do Eduardo Teixeira de Barros (a mãe lá se situou). Depois de passar a casa do Salvador Sequeira de Barros (claro que repetiu o nome todo) até passa um restaurante onde fomos almoçar num aniversário das manas. (a ignorante da mãe continua perdida) Ó Mãe, é pertíssimo do cabeleireiro da Lucy (fez-se luz na cabeça cheia de madeixas da mãe, que sabe perfeitamente onde é o Cabeleireiro da Lucy. Sabendo a dondoca que tem em casa, o Beto podia ter começado por aí, não é verdade?). Pronto mãe, deixe estar, fiquei em frente ao cabeleireiro da Lucy que eu vou lá ter consigo."
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Porquê? #8
Porque raio é que um grupo com duas famílias espanholas vem para Portugal, e num restaurante com pratos deliciosos e tipicamente Portugueses, pede à funcionária se lhes arranja uns bocadillos e um prato de batatas fritas?
Eu sei que é o que eles comem lá, escusam de me informar disso. Mas estando eles habituados a essa comidinha mediocre não deveriam ter sido mais inteligentes e aproveitar a oportunidade que lhes estava a ser concedida para degustar uma Alheira de Caça que por acaso até era o prato do dia?
Digam-me lá se isto não é vontade de chatear e a mania da superioridade do costume?
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Acordar
Há as namoradas que pela manhã vêm os namorados ainda a dormir tranquilamente e por ali ficam a a olhar para eles de uma forma meio psicótica.
Há as que se levantam da cama e vão preparar o pequeno almoço para depois o acordar com beijinhos e festinhas porque são 3h da tarde e ele ainda está a bom dormir.
Há também as que os acordam porque não resistem a tanta beleza e perfeição e estão desertas por os encher de beijos.
E depois existo eu. A rainha do romantismo, que depois de uma noite infernal em que ele ressonou que nem um porco, o acordei às 10h da manhã porque já não aguentava mais ouvi-lo respirar.
terça-feira, 12 de abril de 2016
Paixão
No almoço da Páscoa o Francisco viu no restaurante onde estávamos, uma miúda gira.
Ficou hipnotizado e repetiu-me 76 vezes o quão linda ela era. Confidenciou-me que gostava de ter coragem de lhe ir pedir o número de telefone e eu incentivei-o, claro, mas ele decidiu permanecer Pussy.
Cobardolas como é, a única coisa que decidiu fazer foi pentear-se e ajeitar para ir à casa de banho para ela reparar nele (a miúda estava de costas e sim, mesmo de costas ele viu que ela era uma brasa). Lá foi ele cheio de postura e cheio de estilo, como só um puto de 16 anos consegue ter, e regressou todo contente porque a tinha visto a olhar para ele.
No momento da saída do restaurante, sua excelência veio sempre num passo mais lento para o momento da despedida ser maior, mas não menos doloroso. Entrou no carro a flutuar, a dizer que estava apaixonado, que nunca tinha visto uma miúda tão bonita mas triste e desolado porque nunca mais a ia voltar a ver.
Passado umas horas e já em casa da minha avó, chega-se ao pé de mim e diz:
"Ó Mana....?"
"Han?"
"Ainda te lembras da cara da miúda do restaurante?"
"Sim, mais ou menos, porquê?"
"É que eu já não me lembro muito bem, mas tenho a certeza que se a visse outra vez, ficava outra vez apaixonado"
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